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24 Janeiro 2012
O atual cenário econômico brasileiro traz bons ventos para aqueles que estão pensando em se tornar empreendedores este ano.
A política econômica do Brasil, que resistiu às crises, aliada a incentivos, como ampliação do teto do Simples Nacional de R$ 36 mil para R$ 60 mil, e as ações de fomento aos micro e pequenos empresários têm feito com que analistas avaliem 2012 como um ambiente bastante favorável para aqueles que pretendem iniciar o negócio próprio. Para orientar esta decisão, a Tribuna ouviu consultores, analistas e professores, que apontaram sete principais tendências de negócios que estarão em alta neste e nos próximos anos (ver quadro).
Segundo o analista do Sebrae/MG, Paulo Veríssimo, o aquecimento do mercado interno e programas governamentais, como a segunda fase do "Minha Casa, Minha Vida" e as obras do Programa de Aceleração do Crescimento estão entre os principais fatores que favorecerão o ambiente para novos empreendedores. Além disso, ele destaca uma mudança no perfil das pessoas. "Antes víamos com muita frequência a abertura de empresas por necessidade, em função de desemprego ou aposentadoria. Hoje, vemos pessoas se informando mais e se qualificando. O nível de informação é bem maior."
Para o coordenador da Endeavor em Minas Gerais (principal organização mundial que fomenta o empreendedorismo de lato impacto), Rodolfo Zhouri, e estado e o país estão presenciando um boom de novos empreendedores, propiciados pelo ambiente econômico e "formas mais estruturadas de estímulo".
"Há um capital empreendedor e várias pessoas apoiando novas iniciativas. O Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais e Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas têm linhas específicas de apoio à inovação. Há muito mais estímulo." A Caixa, por exemplo, vai destinar este ano R$ 345 milhões em crédito para empreendedores individuais.
Ele também destaca o interesse dos jovens na abertura de empresas próprias. "Fizemos uma pesquisa junto a universitários que comprovou que 50% deles têm interesse em investir em projetos próprios."
As reduções consecutivas na taxa de juros (Selic), que poderá chegar a 9,5% este ano, e a posição de destaque do Brasil em relação a outros países emergentes são os fatores apontados pelo consultor empresarial Márcio Andrade Borges para avaliar o bom momento para novos negócios. "O cenário do Brasil vai de vento em popa, e estamos servindo de vitrine para o mundo. Fatores como o aumento do salário mínimo e do nível de emprego irão afetar principalmente o varejo. Tudo indica que teremos um ano de alto consumo, o que irá impactar o mercado positivamente como um todo." De acordo com o professor de administração financeira das Faculdades Integradas Vianna Júnior, Pablo Stephan, há um esforço por parte do Governo, nos âmbitos regional e nacional, em se estimular novos negócios. "Novos empreendedores são beneficiados nesse processo. O efeito multiplicador, com arrecadação de impostos, criação de empregos é algo que é muito bem visto por parte do Governo."
Segundo dados da Junta Comercial de Minas Gerais (Jucemg), o número de novos negócios em Juiz de Fora no último ano cresceu 22,1% na comparação com 2010. Foram 4.572 novos empreendimentos, contra 3.744 em 2010, considerando empresas e empreendedores individuais.
O número de novas empresas teve um crescimento de 2,8% (1.942 contra 1.888 no ano anterior), enquanto o total de empreendedores individuais (EI) teve uma ampliação de 41,7% no mesmo período (2.630 ante 1.856 em 2010). Na área de serviços houve alta 9,4%. Entre os EIs, o setor também liderou a abertura de novos negócios, com um crescimento de 52,3%.
O número de empresas e EIs extintos na cidade também cresceu. Foram 723 negócios fechados em 2011, contra 645 no ano anterior, alta de 12,09%. No estado, o total de empresas também cresceu: 23,88%. Já a quantidade de negócios extintos sofreu elevação de 28,3% em 2011.
A falta de capital de giro e a dificuldade em calcular o tempo de retorno de um investimento são os principais erros cometidos por empreendedores nos negócios que fecham as portas, na avaliação do analista do Sebrae/MG, Paulo Veríssimo. "A gente sempre repete isso: o planejamento é fundamental para qualquer tipo de negócio."
Para o coordenador da Endeavor, a falta de capital de giro é um dos principais problemas. "Muitos quebram, pois acabam pegando dinheiro a juros altos. Além disso, as pessoas devem ter atenção na retenção de seus talentos, e procurar formas de remunerar o funcionário para estimular a produtividade e o crescimento da empresa." Para quem quer começar, ele adianta que somente uma boa ideia não é o suficiente. "É preciso ter conhecimento técnico, um bom produto, conhecimento de como gerir um negócio educação e também dinheiro." Já o professor Pablo Stephan aponta que os maiores problemas são "inexperiência, má assessoria, espírito aventureiro e inabilidade em 'tocar' o negócio".
Fonte: Jornal Tribuna de Minas















