A maioria das pessoas não tem o hábito de investir uma determinada parcela de seus ganhos, mensalmente, no mercado financeiro e a razão para isso, na maioria das vezes, está relacionada com a falta de planejamento ou insuficiência de renda. Não é uma constatação surpreendente ou inusitada.

Alguns modelos teóricos buscam estudar a atitude das pessoas em relação à divisão que fazem entre gastos e poupança, partindo da análise dos rendimentos. Para tanto, dividem os ganhos recebidos em dois tipos: os de caráter permanente e os com características transitórias. São considerados como rendimentos permanentes aqueles que garantem o sustento das necessidades dos indivíduos e de suas famílias. Já os rendimentos transitórios são obtidos esporadicamente e complementam os rendimentos permanentes.

Por esse raciocínio, as pessoas tendem a gastar o montante equivalente aos rendimentos permanentes e a poupar a maior parte daqueles considerados transitórios. Apesar do valor total da renda ser uma variável importante, não é o fator que determina a capacidade individual de poupança. Para ilustrar esse ponto, tente imaginar as diferenças entre o padrão de consumo de um funcionário público e o de um agricultor.

Para o funcionário público, toda a renda anual recebida pode ser gasta, porque no ano seguinte, e eventualmente até mesmo na aposentadoria, os rendimentos permanecerão constantes.

No caso do agricultor, apenas uma parte relativamente pequena da renda recebida em um determinado ano pode ser considerada renda permanente e, portanto, gasta. Isso porque ele deve se preparar para a safra do ano seguinte, que pode, inclusive, ser pior do que a safra atual.

Como a renda permanente do funcionário público é maior do que a do agricultor, a preocupação com os investimentos tende a ser menor. Por outro lado, uma boa parcela da renda que o agricultor recebe em um determinado ano tem o caráter transitório, porque deve ser usada na preparação para a próxima safra. O agricultor, então, investe a sua renda transitória para usá-la em algum momento no futuro.

Salário, aluguéis recebidos e pró-labore são formas de renda permanente, enquanto que dividendos, bônus, participação nos lucros e décimo terceiro salário são exemplos de transitórias.

A ausência do hábito de investir periodicamente cria o problema da falta de familiaridade com as aplicações financeiras e pode emperrar a escolha dos investimentos no momento em que se recebe uma renda transitória.

Quando você cria o hábito de investir parte de seus ganhos no mercado financeiro, você ganha familiaridade e confiança para diversificar seus investimentos e evitar armadilhas, geralmente relacionadas com alternativas muito complicadas e que, na maioria das vezes, possuem elevado custo de transação.

Mantenha as coisas simples e tenha em mente que o seu objetivo deve ser o de não transformar toda a sua renda transitória em gastos permanentes, mesmo que você tenha um rendimento elevado ou trabalhe no serviço público.

Há muitos anos os consultores americanos ensinam aos seus cidadãos um método mais do que lógico para investir, tanto em ações como em fundos de ações. Eles chamam o método de dólar cost averaging, expressão que, numa tradução livre, significa "adquirir por médias". O método consiste em comprar periodicamente cotas de fundos ou ações de empresas específicas, independentemente da conjuntura de mercado num determinado momento. A filosofia por trás desse método é a seguinte: compre na alta ou na baixa, mas compre sempre. Como é difícil prever se a bolsa vai subir ou cair, trata-se da melhor estratégia para quem está em busca de resultados de longo prazo. Essa metodologia é muitíssimo interessante para, por exemplo, investir mensalmente 500 ou 1 000 reais num fundo de ações. Em cinco anos, o investidor terá pago sempre preços diferentes pelas cotas adquiridas, formando um preço médio que lhe permitirá, mais facilmente, obter ganhos no mercado.

Invista mensalmente uma parcela de sua renda no Fundo de Ações Programado da Geração Futuro e se torne sócio de grandes empresas como Petrobras, Vale, Gerdau, CSN, Banco do Brasil, Banco Itaú, Cemig, Ultrapar, entre outras.

 

Marcelo d'Agosto é economista especializado em administração de investimentos com mais de 20 anos de experiência no mercado financeiro.

 

Fonte: Jornal Valor Econômico